Rio de Janeiro, 19 de Agosto de 2017

Cuidado com o sol

Cuidado com o sol
A lista de preocupações femininas com o sol aumenta: corpos magros, sem celulites, bronzeados... A exposição ao sol, embora traga benefícios - como auxiliar na absorção da vitamina D, fixar o cálcio no organismo - também traz sérias implicações para a saúde quando há exageros.
 
Segundo dados apresentados, recentemente, pela Organização Mundial de Saúde, (OMS), cerca de 60 mil pessoas morrem por ano - a maioria devido ao câncer de pele - por excesso de exposição ao sol.
 
O primeiro relatório a detalhar os efeitos globais da exposição ao sol também destaca que a radiação solar é responsável por queimaduras, envelhecimento da pele, cataratas nos olhos, dentre outras doenças. (O estudo completo está disponível na Internet: www.who.int/uv).
 
Do envelhecimento precoce ao câncer de pele, o sol pode sair deixar de ser um aliado da saúde para transformar-se em vilão.
 
“Alternativas ao sol, tais como o bronzeamento artificial e os cremes autobronzeadores também devem ser analisadas com critério, ainda que a promessa de adquirir 'a mais linda cor' seja atraente”, aconselha o cirurgião plástico Lecy Marcondes Cabral, diretor-clínico da Clínica Integrada de Cirurgia Plástica São Paulo.
Muito mais do que o bronzeamento
 
A radiação Ultravioleta (UV) do sol, ao penetrar na pele, desencadeia reações como queimaduras solares, fotoalergias e bronzeamento.
 
“Os raios UV - devido ao efeito cumulativo da radiação durante a vida – causam também o envelhecimento cutâneo e alterações celulares que predispõem ao câncer da pele”, alerta o cirurgião plástico.
 
A radiação solar se divide em radiação UVA e UVB, explica o médico: “a radiação UVA possui intensidade constante durante todo o ano. Sua intensidade não varia muito ao longo do dia, sendo um pouco maior entre 10 e 16 horas. Penetra profundamente na pele, sendo a principal responsável pelo fotoenvelhecimento. Tem importante participação nas fotoalergias e também predispõe a pele ao surgimento do câncer”.
 
O UVA também está presente nas câmaras de bronzeamento artificial, em doses mais altas do que na radiação proveniente do sol.
 
A incidência dos raios UVB aumenta durante o verão, especialmente nos horários entre 10 e 16 horas, quando a intensidade dos raios atinge seu grau máximo.
 
Estes raios penetram superficialmente na pele e causam as queimaduras solares. “Este tipo da radiação é a principal responsável pelas alterações celulares que predispõem ao câncer da pele”, diz Lecy Marcondes.
 
Bronzeamento saudável
 
“Existe, entretanto, a possibilidade de se bronzear, sem queimar a pele. O primeiro consenso entre os médicos é o de que os banhos de sol devem ser realizados até às 10:00 da manhã, ou após as 16:00, quando os raios UVA, menos danosos, são mais abundantes”, recomenda o cirurgião plástico, que é mestre em cirurgia plástica pela Escola Paulista de Medicina.
 
É também importante ter em mente que o resultado do bronzeamento natural e seguro só poderá ser percebido, após alguns dias da exposição solar. “O corpo precisa de um tempo para produzir melanina e liberá-la pelas células. Por se tratar de um processo biológico, não há como apressá-lo sem riscos. Portanto, um banho de sol de um dia só, com muitas horas de exposição, só traz problemas, e não benefícios”, defende Lecy Marcondes.
 
O médico aconselha que o ideal é tomar sol por um período de, no máximo, vinte minutos diários durante as férias, sempre fazendo uso de protetores solares com fatores de proteção solar (FPS) elevados.
 
“É importante lembrar também que o protetor leva aproximadamente trinta minutos para atingir sua proteção máxima e mesmo com filtro solar, uma parte da radiação ultravioleta está atingindo a pele e estimulando o bronzeamento”, diz.
 
Como se proteger?
 
Não fique vermelho, como um camarão: “a ‘vermelhidão’ na pele é ocasionada pela exposição solar excessiva e sem proteção adequada, que causa uma quebra do DNA das pessoas” destaca o médico. É muito importante proteger crianças e adolescentes adequadamente.
 
“Se o filtro solar utilizado permite que a pele fique vermelha após a exposição solar, é sinal que a proteção não está sendo eficaz e que o fator de proteção solar deve ser aumentado ou o produto deve ser aplicado em intervalos menores”, recomenda Lecy Marcondes.
 
O especialista indica como fator de proteção mínimo o FPS 30 e a sua reaplicação a cada 2 horas, ou após mergulho, exercício ou suor excessivo.
 
O protetor para os lábios também deve ser utilizado, durante o banho de sol.
 
“O uso de chapéus, durante a exposição solar contribui para a proteção de áreas sensíveis, como olhos, orelhas, pescoço e nuca. Os óculos de sol com 99-100% de proteção UV também são um poderoso auxiliar na proteção dos olhos, que podem sofrer danos oculares sérios, como a catarata, quando expostos ao sol sem proteção”, declara o médico.
 
O médico observa também que “já existem, hoje, roupas que protegem a pele de radiações solares, como as utilizadas pelos surfistas”, diz o cirurgião plástico.
 
Mesmo os que decidem ficar na sombra, nas praias ou piscinas, não estão livres de sofrer com a radiação solar que se reflete na água, na areia e no asfalto.
 
“Portanto, o uso de filtros solares por quem vai à praia ficar embaixo do guarda-sol também é recomendável”, reforça Lecy Marcondes.
 
Após o sol
 
Após a exposição ao sol, "o banho deve ser morno e rápido. Nada de bucha de banho", recomenda o especialista.
 
Vale lembrar que o banho quente resseca a pele, e que os cotovelos e os joelhos devem receber cuidados especiais, pois apresentam menor quantidade de glândulas sebáceas, responsáveis pela hidratação natural do corpo.
 
O uso de óleos de banho e cremes hidratantes é recomendado para evitar a descamação da pele e manter o bronzeado por mais tempo.
 
Há opções ao bronzeamento natural?
 
Hoje, existem diversos cremes e loções no mercado, com a presença de dihidroxiacetona, substância que provoca uma reação química na pele, escurecendo-a.
 
São os chamados autobronzeadores.
 
Segundo o cirurgião plástico Lecy Marcondes Cabral, “esses produtos não estimulam a produção da melanina, portanto não estão bronzeando, estão apenas tingindo a pele”. 
 
A maioria destes produtos não causa males aos usuários, “mas ainda assim é importante levantar a possibilidade do aparecimento de alguma alergia”, afirma Lecy Marcondes.
 
Outra opção muito em moda nos dias de hoje é o bronzeamento artificial, feito, principalmente, em clínicas de estética.
 
“É importante esclarecer que o bronzeamento com luz artificial traz danos à pele e aos olhos desprotegidos da mesma forma que a exposição à luz solar. O FDA (Food and Drug Administration), órgão americano que regulamenta medicamentos e alimentos, desaconselha o uso das lâmpadas de UVA com o objetivo de bronzeamento”, afirma o cirurgião plástico.
 
Para alcançar o mesmo efeito da luz solar, as camas ou cabines de bronzeamento têm que estimular a produção de melanina.
 
Lâmpadas especiais, instaladas no interior dessas câmaras, emitem raios iguais aos do sol.
 
Predominantes nos aparatos de bronzeamento artificial, os raios UVA têm um comprimento de onda mais longo (320 a 400 nm).
 
Por isso, atingem mais profundamente a pele, penetrando na derme.
 
Nesta camada incidem sobre o colágeno.
 
“Assim, o usuário estará acelerando o desgaste das suas células. Resultado: envelhecimento precoce. Quanto aos raios UVB, por seu comprimento de onda (280 a 320 nm), não penetram tão profundamente. Mesmo assim, são os principais agentes causadores de câncer de pele e manchas”, afirma Lecy Marcondes Cabral.
 
 
 
 
Lecy Marcondes Cabral
 
Lecy Marcondes Cabral é mestre em cirurgia plástica pela Escola Paulista de Medicina. Com intensa atividade profissional e acadêmica é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, fellow do Colégio Internacional de Cirurgiões, membro da Sociedade Brasileira de Laser e Medicina, da Sociedade Brasileira de Queimados, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Craneomaxilofacial, do Grupo Brasileiro de Melanoma e da Academia Científica de New York.

Crédito:Márcia Wirth

Autor:Lecy Marcondes Cabral

Fonte:Excelência em Comunicação