Rio de Janeiro, 26 de Março de 2017

O ovo ou a galinha?

Leitora
Não sei nem explicar minha situação. Sou divorciada, tenho 1 filho e moro com minha mãe.
Sou uma pessoa que sempre procurou trabalhar, trilhar meu próprio caminho.
Porém a relação com minha mãe nunca foi boa.
 
Nós sempre tivemos muita dificuldade em nos darmos bem.
 
Já tentamos vários caminhos e não conseguimos ter uma relação harmônica.
 
De um ano pra cá descobrimos que ela tem câncer, e eu estou me esforçando muito para dar apoio, ser companheira num momento difícil como esse, mas mesmo assim acho que nada mudou.
 
Quando nos estranhamos, fico com o pé atrás e acabo me afastando.
 
No entanto, sei que ela conta comigo, pois sozinha não pode ficar.
 
Fico em uma batalha interna, pois não consigo proximidade com ela, pois me faz mal; mas se me afasto, acabo me sentindo culpada.
 
Fernanda – Rio de Janeiro
 
 
O ovo ou a galinha?
 
Cara Fernanda, antes de eu responder a sua carta, você conseguiria responder quem veio primeiro, se foi o ovo ou se foi a galinha?
 
Entender essa situação é uma tarefa bastante complexa, pois existem muitas variáveis e invariáveis.
 
A grande questão é saber se houve algo no passado que possa ter causado essa estranheza materna.
 
Se, desde que você se conhece por gente, isso afetou a relação ou se vocês não sabem como tornar a relação boa.
 
Tornar uma relação boa é algo que pede comprometimento, disponibilidade, e acima de tudo aceitação.
 
Você aceita sua mãe como ela é?
 
Você se sente aceita?
 
Você deseja uma relação boa e saudável?
 
Responder essas perguntas à si mesma é fundamental para a resolução desse quebra cabeça chamado você X mãe.
 
A ambiguidade que você está vivendo apareceu diante de um quadro de doença.
 
Será que é pretensioso e ingênuo acreditar que essa doença pode dar recursos a você e a ela de encontrarem caminhos, soluções, que vocês mesmas desconhecem?
 
Somos uma fonte de inesgotáveis possibilidades.
 
Diante da vida podemos ter atitudes, posturas e opiniões que nem sabíamos que existiam.
 
Não é fácil se colocar na relação que, segundo você, nunca foi boa, porém, aproveite a doença dela para dar uma chance, não a ela, mas a você, de tentar um novo caminho que consiga te encher de sentidos e positividade.
 
 
 
Envie seu e-mail para o psicólogo Thiago Spinelli responder.
E-mail thiago.spinelli@universodamulher.com.br

 
 

Crédito:Christina Gomes

Autor:Thiago Spinelli

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