Rio de Janeiro, 26 de Março de 2017

Será que vou ficar só?

CARTA DA LEITORA
 
Sou uma mulher bonita e com um bom nível social. Tenho 44 anos, com 2 filhas, universitárias e criadas. Há 9 anos conheci um homem mais novo do que eu.
 
No início, saíamos muito, estávamos sempre rodeados de amigos e nossa vida social e amorosa era bem intensa. Havia uma cumplicidade. Porém ao decorrer desses anos, minha vida financeira se desestabilizou e o mesmo aconteceu com minha relação. Passamos a ter inúmeras brigas, fomos nos distanciando e finalmente terminamos.
 
Faz 3 anos que não estamos mais juntos, ele já está com outra mulher, que não é bonita, não é inteligente e só pensa em beber e fazer churrasco.
 
 Tentei conversar com ele, porém o mesmo já disse na minha cara que gosta dela porque ela dá boa vida pra ele e eu não tenho condições. Chegamos a nos ofender, e até xingamentos por parte dele já ouvi, mas mesmo assim não consigo me desvencilhar dessa relação. Esse tempo que ele está com outra, já fiquei com ele, já tivemos relações sexuais, mas mesmo assim ele não reata comigo e volta sempre pra ela. Eu saio, me divirto e até conheço alguns caras, a maioria interessante, mas eu não consigo nem pensar em nada com eles.
 
Quando percebo já estou falando com ele e aceitando suas migalhas.
 
Será que estou fardada a não conseguir ficar com mais ninguém?
 
Larissa, Rio de Janeiro,RJ
 
Os nomes das leitoras são alterados para preservar o anonimato. As cartas devem ser enviadas para o e-mail thiago.spinelli@universodamulher.com.br
 
RESPOSTA DO PSICÓLOGO THIAGO SPINELLI
 
Título:  Disponibilidade indisposta
 
Esta semana vi um filme chamado A Sutileza do Amor.
 
Esse filme trata da história de uma mulher que tem um casamento muito bom com um homem e em uma corrida matinal, ele passa mal e morre. A mulher, bonita, jovem se vê num vazio e mergulha no trabalho.
 
Passam aproximadamente 3 anos e ela não se relaciona, ignora a vida social e a si mesmo em detrimento de uma cumplicidade inventada e própria com o já falecido marido.
 
De repente então a mesma se vê em uma relação com um colega de trabalho, e mesmo ela relutando e fazendo de tudo para que o amor não aconteça, dentro dela esse tal amor, brota e no fim ela fica com ele.
 
De certo é um filme, e mesmo com o fato dos filmes terem uma queda, aliás, um abismo para finais felizes, na vida real também existe muitos finais felizes. Tentei aproveitar o enredo do filme para descrever em outras palavras a sua carta.
 
O mais difícil disso tudo, é conseguir enxergar o que está por traz dessa sua “relação” que a mantém refém.
 
Sim, refém de si mesmo, de suas amarras e de suas próprias convicções porque a “relação” de nada tem amorosa, uma vez que ele está com outra pessoa e deixou bem claro o motivo.
 
Acredito que sair desse mergulho sentimental, e olhar para outros sentimentos, emoções e oportunidades é um movimento difícil, porém necessário.
 
E quando você tenta se tornar disponível para outros amores, emoções e histórias, sua disponibilidade fica indisposta e resolve descansar mais um pouco; assim você vai ficando nessa mesma relação.
 
Se questionar sobre o tipo de homem que você quer, que relação você gostaria, fica parecendo primário uma vez que em sua carta você evidencia que gostaria de encontrar um homem melhor e que te faça feliz.
 
O grande questionamento, e não tão evidente e diretivo é entender o que está por traz dessa dependência.
 
Será medo? Será frustração? Será dificuldade de perder?
 
Coloque a preguiça da sua disponibilidade de lado, e traga ela para a vida amorosa, para o flerte, para a sedução e conquista.
 
Afinal isso tudo faz parte da vida real, e como no filme, pode sim acabar com um final feliz.

 
E você?
Também tem algum problema ou alguma dúvida sentimental?
 
Envie seu e-mail para o psicólogo Thiago Spinelli responder.
 
 
 
 
 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Thiago Spinelli

Fonte:Universo da Mulher