Rio de Janeiro, 25 de Junho de 2017

Garota X Mulher

Garota X Mulher

Nós mulheres temos infinitas qualidades, somos pro ativas, somos ágeis, temos o raciocínio rápido, sabemos o fazer para alcançar um objetivo, temos muita determinação e perseverança, enfim, nós temos inúmeras ferramentas que geram a chance do sucesso.

Mas muitas vezes nos perguntamos porque algumas mulheres não conseguem atingir o sucesso na carreira.

Trabalhando com pessoas nestes 9 anos, principalmente depois de 2004, que tenho um público quase 100% feminino, pude avaliar em algumas delas um ponto muito importante, que é uma arma fortíssima contra o sucesso na carreira.

Muitas mulheres apesar de extremamente competentes e capazes de ser uma referência de sucesso, limitam-se a agir de forma coerente com o papel social imposto, de sexo frágil, de quem precisa ser cuidada.

Quando chegamos à idade adulta, nunca ouvimos que devemos agir de maneira diferente, que devemos arregaçar as mangas e ir em busca dos nosso objetivos, isso é uma escolha de cada uma de nós, e muitas mulheres acomodam-se e não mudam, não criam coragem de assumir o novo papel que nós conquistamos dia-a-dia como pessoas livres, independentes, líderes, inovadoras, criativas, etc.

Por falta de incentivo ou de informação, ou por ambas as causas, muitas deixam de desenvolver comportamentos adequados a mulher adulta e preferem permanecer  no papel de garotas quando isso há muito tempo deixou de ser benéfico à elas.

Uma das razões é o fato de que a sociedade (machista e antiquada, claro!) ensina que agir como garota não é tão mau assim. As garotas recebem cuidados e atenção que os rapazes não têm.

Não é comum para esta sociedade esperar que elas se sustentem, nem cuidem de si próprias, pois outras pessoas farão isso em seu lugar.

Doçura, charme e beleza: é disso que as garotas são feitas.

E quem não quer este “privilégio”?

Ser uma garota é sem dúvida mais fácil do que ser uma mulher.

As garotas não precisam assumir responsabilidade pelo seu próprio destino.

Suas escolhas são limitadas a uma faixa estreita de expectativas.

Mas há um grande problema nisto.

Quando as ações estão baseadas nas expectativas dos outros, a vida se torna muito limitada.

Significa que estas mulheres adotam comportamentos coerentes com o que se espera delas, e não aqueles que as levariam através do caminho da realização e do amadurecimento.

Estas mulheres não têm referências de formas de agir alternativas que lhes permitam realizar seus sonhos de receber promoções, ou chegar a um cargo de alta hierarquia em uma empresa.

Na condição de mães, irmãs, filhas e companheiras, elas se empenham em nutrir e atender as necessidades dos outros do que em assegurar o reconhecimento de suas necessidades.

Há ainda uma outra cilada: quando estas mulheres tentam romper com o papel social e agir de maneira mais madura e atualizada, deparam-se quase sempre como uma sutil – e às vezes nem tão sutil assim – resistência, cujo objetivo e mantê-las em “seus lugares” .

Quando estas mulheres sentem sua feminilidade questionada ou o valor dos seus sentimentos, sua atitude, geralmente, é de retraimento, e não de reação.

Elas passam a questionar-se sobre a veracidade da sua experiência. Se a questão for lutar ou morrer, elas optam por fugir.

Toda vez que elas fogem dão um passo para trás, na direção da garota que foi e por esta razão passam a duvidar do seu valor, capacidade e conhecimento.

Desta forma tornam-se coniventes com a “tal sociedade” e permanecem assim no papel de garotas em vez de assumirem a posição de MULHERES.

Por esta razão elas devem aceitar o fato de que são as únicas responsáveis por não terem suas necessidades atendidas, seus sonhos realizados ou metas atingidas.

Estas mulheres precisam arregaçar a manga, criar coragem e mostrar que são excelentes no que fazem e extremamente capazes de ir além, muito além.

Elas devem deixar de se esconder no comodismo de ser garota e assumir a grande, porém satisfatória e realizadora, responsabilidade de ser uma MULHER.

Como disse *Eleanor Roosevelt: “Ninguém poderá fazer você se sentir inferior sem o seu consentimento.”

 

 

 

* Eleanor Roosevelt (1884-1962) foi a primeira-dama-norte-americana de 1933 a 1945, uma das mulheres mais influentes de seu tempo. 

 

 

 

 

Andréia Alves de Brito Guedes é Consultora em RH da SEC Talentos Humanos e atua na área há 9 anos.
 
 
 
 
 
 

Crédito:Andréia Guedes

Autor:Andréia Guedes

Fonte:Universo da Mulher