Rio de Janeiro, 18 de Novembro de 2017

Nem tudo são flores

São 7:45 da manhã de sexta-feira, e detalhe:13!
 
Estou estressado, ligando para meu taxista turco, que sempre me leva para todo lugar, mas que desta vez está 10 minutos atrasado.
Dentro de 3 horas parte meu vôo rumo à Washington, onde estou indo passar o final de semana com o Dirk. Como hoje em dia há milhões de controles de segurança nas bagagens de mão, quero chegar a tempo.
 
Dois minutos depois da chamada, chega o Walli, logo se desculpando:
“ Good morning, Mr!...O trânsito está uma loucura esta manhã!”
 
Meia hora mais tarde, me encontro no balcão de check-in da primeira classe, que está sempre cheio quando os vôos são para os Estados Unidos. Só um detalhe: os americanos, mesmo os que não têm bilhete de first class estão sempre amolando e pedindo um upgrade.
 
Apenas cosméticos, com embalagens inferiores à 100ml, podem ser levados na cabine da aeronave, daí abro minha necessaire Gucci e pergunto ao funcionário do balcão se o que tenho dentro pode ser levado comigo. Sou aquele tipo de criatura que vive mais untado que forma de bolo. Mas isso me rende uma pele maravilhosa!
 
 
 
 
 
O rapaz do check-in não olhou direito e aconteceu algo que acabou com a minha manhã: tive que jogar meu desodorante Dolce & Gabanna, novíssimo, que tinha comprado mês passado na Suíça fora, porque tinha 150ml, e não cabia numa sacola de plástico transparente, distribuída aos passageiros na área do security check. Não fiz caso, aceitei e não ia causar confusão por medo de ser taxado como terrorista.
 
 
 
 
 
Sabe como esse povo é...Tive que ficar praticamente nu: tirei os mocassins – Gucci, é claro, que são ótimos para os meus pés chatos -, o cinto Hermès e tal. Meio humilhante, mas o que não fazemos hoje em dia em nome da santa segurança, né mesmo? Só falta mesmo é ter uma máquina de ultra-som.
 
Assim que embarco na minha first class, beberico meu champagne cuvée, às 11 da manhã ( Afe, Maria! É muito cedo pra beber álcool!) e esqueço todos os impropérios vividos esta manhã. Não me lembro a primeira vez que pus meus pés num avião por ser muito pequeno, mas uma coisa eu sei: minhas viagens na infância não eram nos mesmos padrões em que estou acostumado hoje em dia.
 
 
 
 
O que me fascina na primeira classe, não e o fato da comissária saber meu nome, de haver várias opções de pratos quentes, servidos quando eu desejar, do champã jorrar mais do que água nas Cataratas do Iguaçú ou de comer caviar iraniano; o que eu preso muito é o assento, que vira uma cama, quase tão comfortável quanto à minha. Não sou de comer nos meus vôos, até porquê,  uma coisa é você comer num restaurante, e outra é estar a milhares de pés de altura, onde as iguarias e vinho sofrem uma alteração considerável. Você deve estar achando que é frescura de minha parte, mas juro que não é!
 
 
Acabo de sobrevor a Irlanda, e o imenso Atlântico começa a surgir, assim como o medo de ter que sobrevoá-lo por mais de 6 horas até Washington. Para espantar o pensamento, escolho um dos 20 filmes. Fiquei com o “Diabo veste Prada”, que na minha modesta opinão, quem salva o filme é a talentosa Maryl Streep, já que a trama é mais velha que a minha avó: mocinha em busca de êxito na Big Apple está manjada.
 
 
 
Mal eu sabia que 4 horas mais tarde eu estaria sobrevoando Nova Iorque, escutando “ Native New Yorker –clássico do grupo Odyssey- no meu iPod, com um dia de muito sol, o que possibilitava ver muitas áreas da cidade, inclusive vários barcos partindo do Battersea Pier, na pontinha de Manhattan, a estátua da Liberdade, o imponente Rio Hudson. Tenho um ótimo senso de posicionamento geográfico. Amo geografia, países, povos e tal...Ainda criança, ficava observando o meu primeiro atlas e, jamais poderia imaginar, que um dia iria ter visitado todos os continentes e que o mundo ia se tornar pequeno para mim.
 
 
 
A primeira coisa que me veio à cabeça quando desembarquei no aeroporto de Dulles, localizado no estado de Virgínia, foi a palavra guerra por conta dos caminhões, com rodas gigantescas, que levam os passageiros dos aviões até o setor de imigração e chegada. Não tive problema para entrar. Fui tratado como todos deveriam ser em qualquer parte do mundo:com respeito. Meu passaporte europeu, cor bordeaux, abre portas e para um oficial norte-americano eu não desperto suspeitas. Só dando um flashback: muitos dos terroristas do Setembro 11 eram portadores de passaportes britânicos – portanto europeus também, entende?
 
 
Para chegar ao centro de Washington, só mesmo o velho e bom taxi, que se levarmos em consideração a distância – uns 60 km – até que sai em conta: 60 dólares. Sinais de um trânsito caótico mostram que os americanos não são tão bons-de-roda assim. Tirar a carteira de motorista é algo fácil – eles aprendem ainda na escola.
Fiquei instalado bem perto da Casa Branca, no Madison Hotel, que é praticamente um business hotel. Muito bom, chic no último, localizado em NW (Northwest). A primeira coisa que fiz foi me enfiar nas lojas e fazer umas comprinhas com o Dirk.  A melhor área para shopping e badalar é Georgetown, que goza de botiques, bares e restrôs com um certo flair europeu.
 
Washington no geral é limpérrima, cheia de parques e belíssimos lagos e monumentos, mas tem que ser assim, ja que é o espelho do todo poderoso Estados Unidos da América, com várias missões diplomáticas, o IMF ou FMI(para nós, com quem nosso País tinha uma dívida horrenda) etc...Mas mesmo ali no centro - uma das partes ricas - sinais das mazelas daquela sociedade se espalham por suas belas praças.
 
 
Na maioria, negros, descriminados, ou que não se enquadram nos padroes da sociedade local, daí caem no mundo. Até eu, que estou no topo da pirâmide social, fui vítima de racismo por lá. As pessoas sao muito hostis, mas nada que a minha arrogância não dê jeito na falta de educação deles. Brancos e negros vivem sagregados, o que é triste.
 
A maioria da população em Washington, DC é afro-americana, e vive em subúrbios da capital do “império-sanguinário de Bush”. Tais bairros podem ser tão perigosos quanto à qualquer favela, mas porque estamos falando de Estados Unidos, muita gente passa a ignorar o assunto e tenta esconder o sol com a peneira.  Logo pensei: “ Como Condolezza Rice, sendo black, pode estar num cargo de poder, ainda mais no governo de um Bush da vida?” Há coisas que nem Deus explica!
 
A White House – um LUUUXXXOOO -, mas esperava que o seu “quintal” fosse bem maior, de onde os pobres plebeus, como eu, podem vê-la de uma das grades, onde as bungaviles não cresceram. Dos 132 cômodos da Casa Branca, 32 são banheiros, e, segundo um amigo francês, que já esteve no Oval Room do presidente da nação mais poderosa do planeta, as salas não são tão grandes assim. Segundo o Antoine, que é super nacionalista, o decor é cafona e não se compara aos salões do Palace Elisée, sede do governo de Jacques Chirac. Esse meu amigo pirou na batatinha com tal comparação, né mesmo? (hehehehe)
 
Uma ótima opçao para explorar a cidade e sem dúvida pegar os trolleys das linhas verde e vermelha, e visitar o Capitol (sede do congresso norte-americano), vários museus, como o fabuloso Museu Espacial, onde o visitante pode tocar em rochas oriúndas da lua. Há passeios para todos os tipos de turistas – até mesmo aquelas criaturas chegadas à um turismo lúgubre, fica como dica o cemitério onde JFK e Jackie O estão enterrados. Esta parte eu despenso. Detesto a morte e tenho medo de morrer. ( hehehe)
 
Não deixe de caminhar pelo belo calçadão às margens do rio Potomoc. Nos fins de semana encontra-se toda Washington dando pinta por lá. E os iates?  Meu sonho de consumo, mas na Riviera Francesa ou em Portofino, of course!
 
É claro que não poderia deixar a culinária de fora desta coluna. Então, vamos lá: como estava recém-operado, não poderia fazer toda aquela extravagança gastronômica, que estou acostumado; aderi à um menu mais leve – peixes do Atlântico norte (Mahi Mahi), vegetais e algo que eu adoro – New England Clam Chrowder.
Meus Deus, essa sopa é boa demais!
 
É uma espécie de creme de frutos do mar, com batatas, mas acho que além do creme, que dá um tom branco, deve rolar uma maizena alí, porque lembra muito um mingau de Maizena ou Cremogema. Na sua próxima ida ao nordeste do Estados Unidos, não deixe de experimentá-la. E um must!
 
 
Levar o passaporte para ir aos bares, discos e tal é obrigatório para os estrangeiros, não residentes, lógico. Pois é, sem identificação no way, você ficará out. Eu sempre sou barrado no baile por ter cara de bebê. E força nos meus cremes!
Desta vez, pensando que minha carteira de identidade européia era o suficiente, não levei o passaporte e tive que voltar ao hotel para buscá-lo.
 
Nos restaurantes dos Estados Unidos é natural que o cliente ganhe um copo d´ agua – da torneira – for free, mas o problema é o gosto dela: muito cloro. A água do Rio Guandú tem qualité superieur, meus queridos!
Comer fora não é barato e os pratos quentes começam na casa dos 20 dólares e tal. Deixar no mínimo 15% de gorjeta ao garçon também é obligatório; traduzindo: é o freguês quem paga o salário do pobre garçon, que trabalha por míseros 5 dólares.
Isso é o capitalismo!!! Uma vergonha, se comparado com a Europa. Um jantar sem grandes luxo para dois sai facilmente em 150 dólares.
 
Termino de escrever esta coluna a bordo do voo LH 756 que me traz de volta pra Frankfurt, já é noite, estou sobrevoando o Canadá, após 2 horas de vôo e feliz da vida por ter terminado a coluna. É claro que o champagne cuvée da uma ajudazinha no meu alto astral..
 
 
P.S: Outro dia recebi um e-mail de um leitor dizendo que prefere ir à Europa ao Nordeste do Brasil. Bem, claro que para ele, a Europa pode ser mais interessante diantes dos aspectos culturais e tal, mas não podemos rebaixar o nosso Brasil, tão poderoso e lindo de nascer. Digo isso porque sei o que estou falando: o Brasil é um dos poucos países, cujas as praias são de areia branca. Um verdadeiro paradise!!! Você pode estar numa St Tropez da vida, mas vai sentar não confortavelmente em pedregulhos, meus queridos. Já é hora de sermos mais nacionalistas. Beijos e até breve.
 
 
Como chegar:
Do Rio e Sampa há vários vôos diários até os States.
Visto:
Brasileiros precisam de visto para a terra de Bush. Mas os brasileiros que possuem passaporte europeu, ficam isentos.
Consulte o consulado norte-americano mais próximo para mais detalhes.
 
Custos:
O preço da passagem em primeira classe de Frankfurt-Washington-Frankfurt esta em média 10.000 dólares.
Contatos com o colunista:
E-mail& MSN:danieljreynolds@hotmail.com
Telefone: 0049 171 766 00 53    
Frankfurt,Alemanha.
 
 

Crédito:Daniel Reynolds

Autor:Daniel Reynolds

Fonte:Universo da Mulher