Rio de Janeiro, 19 de Agosto de 2017

O joguete do Brasil prova que querer não é poder

O joguete do Brasil prova que querer não é poder
É normal que do Iapoque ao Chuí todos estejam desolados com o papelấo que o Brasil fez diante da poderosa França. Assim como toda população, estou passe-composé com a saída da nossa seleção da Copa de 2006, aqui na Alemanha.
 
Quem me conhece sabe que estou longe de ser uma daquelas criaturas super patriotas, mas talvez pelo fato do mundial estar sendo por aqui ou porquê alguma entidade tupiniquim tenha baixado em mim, estive torcendo arduamente pelo êxito do time brasileiro.
Com a derrota, já me considero um pé-frio de carteirinha, pois isso foi acontecer justo em Frankfurt, onde eu vivo.
Puxa, vida!
 
O sábado, dia 1°, quando Brasil jogou, tinha tudo para ter sido perfeito: céu azul, gente alegre colorindo as ruas da metrópole alemã, com intenso amarelo da nossa bandeira e, detalhe: todo mundo super confiante que a vitória  brasileira estaria garantida.
 
Ledo engano!
 
Eu também cai no erro ao dizer para o meu vizinho, um portuga que ama futebol, que seria melhor Portugal, que naquele exato momento de nossa conversa, no hall de entrada do prédio, ainda estava com a corda no pescoço, perigando ser derrotada pela Inglaterra, sair da Copa para evitar que a colônia e metrópole viessem a jogar juntas numa final - o que seria doloroso para todos nós devido as relações amistosas e históricas que unem as duas nações.
O portuga, como um homem super educado que é, apenas sorriu. Mas para quem sabe ler, um pingo é letra, pude imediatamente traduzir a sua expressão facial:
" Que venha os brasileiros!!!"
 
Castigo não vem a cavalo, mas de concorde -  o que é bem mais chic - por sua fenomenal rapidez, gente!
Ainda não dei de cara com o sr. Alberto (o meu vizinho), mas e quando deparar com ele na portaria?
 
Tenho certeza que ele vai vociferar com todo orgulho a vitória apertada de Portugal, ou melhor a do talentoso guarda-redes - traduzindo: goleiro da esquadra lusitana.
 
E muito interessante as variações linguísticas dentro de um só idioma, né não? 
 
Já estou bem habituado com as diferenças entre o português tupiniquim e lusitano porque tenho convivência com vários amigos do Além Mar, o Pedro, por exemplo, é um deles.
Já somos amigos desde minha adolescência, em Londres, e é uma pessoa que gosto muitíssimo.
Não sei se é pura ironia do destino; Pedro hoje em dia tem um partner brasileiro, o querido e chic Vladimir Netto, e está radicado numa ponta aérea entre Sampa e o Velho Mundo. Falando sobre o Vlad, o chiquê do rapaz e tanto que ele fez aniversário no sabado, 1° de julho, mesmo dia de Lady Di  se fosse viva também.
 
Mas deixando Camões, Eça e meus friends de lado, vamos voltar a dor que todos sentimos aqui em Frankfurt logo no primeiro gol que o Brasil tomou da França.
Diante da apatia dos jogadores já podiamos prever o início do fim.
Porém, como a esperanca é a última que morre, torcemos até o término dos sofridos 90 minutos.
E haja coração!
 
O joguete do Brasil prova que querer não é poder.
Estou longe de entender alguma coisa sobre futebol, mas já via claramente que o estrelismo dos jogadores foi algo que fez com que perdessemos a chance de conquistar mais um título.
 
Li num dos jornais brasileiros o Cafu dizendo que não era justo crucificar a seleção pela derrota de sábado, ainda mais porque este time está cheio de jogadores que conseguiram vários títulos - inclusive o penta de 2002 - para o meu Brasil varonil.
Me poupe, ne sr. Cafu!
Quem vive de passado é museu!
 
Como forma de protesto arrumei uma forma de me vingar dos francêses: pensei em boicotar os produtos deles aqui em casa, tipo: foie gras - que amo de paixão-, champã - que sempre me deixa num animo só, mas que a minha médica falou que estou bebendo em demasia.
 
Mas parando para pensar bem no assunto, se fosse banir os produtos da terra do galicismo, eu teria que parar de usar les parfumes também, e isso é possivel?
Seria justo por amor ao Brasil passar a feder?
Na, na. ni, na, não!!!
Me desculpe sra. doutora, mas a minha saúde que vá pro espaço; posso ter problemas por beber muito Don Perignon, ou o colesterol estar altíssimo por comer muito foie gras.
Que se dane, pois a vida é muito curta para se privar dos prazeres da gula.
 
Como também sou europeu, agora e torcer pela Alemanha, onde vivo. Jamais vestiria uma camisa da selecao deles, mas vou contribuir com minha porção latina para dar uma animada por aqui.
 
O lance agora, é bola pra frente e quem sabe o hexa não pinta em 2010 na paradisíaca África do Sul?
 
 
 
 

Crédito:Daniel Reynolds

Autor:Daniel Reynolds

Fonte:Universo da Mulher