Rio de Janeiro, 19 de Agosto de 2017

Copa do Mundo na Alemanha

É absolutamente normal que em época de Copa todo mundo só fale sobre futebol.
Eu, desde de minha infância, talvez por ser um perna-de-pau, sempre detestei o esporte, mas é claro que em todo campeonato viro técnico, assim como toda a população brasileira.
 
Mas voltando a minha infância, sendo mais exato - meus tempos de colégio - tinha pavor quando a matéria dada em educação física era o esporte, criado na Inglaterra. Sempre achava meio sem nexo, um monte de homens correndo atrás de uma bola. Apesar da tradicional educação que tive e saber que mentir era feio, e pior:pecado, não titubiava - inventar que estava passando mal era uma constante.
 
 
 
Os alemães, como muita gente sabe, estão longe de possui nos genes a felicidade nata de um brasileiro, mas é claro que mesmo assim, o clima aqui na Alemanha é de festa total. Ontem a noite, me juntei ao meu grupeto de amigos e fui até à margem sul do Rio Meno assistir o jogo da nossa seleção.
 
A cidade estava toda amarela; mais de 60.000 pessoas - tupiniquins, teutos, cangurus – ops, australianos! - entre as demais nacionalidades - deram as caras por lá para mostrar seu carinho pelo meu Brasil varonil. É muito emocionante nao só ver todo mundo usando algo com motivos brasileiros, mas poder sentir o carinho que nosso país recebe de todos mundo a fora.
 
 
 
Como achei um abuso pagar 70 euros (200 reais) por uma camisetinha fuleira da Seleção, resolvi me caracterisar para ver o jogo a minha moda: camisa verde-bandeira da La Coste, cinto amarelo-pastel da Prada e assim arrumei uma forma “very ecônomica”, já que tinha as pecas no meu armário, e me juntei a torcida.
 
Será que é trauma de infância?
Não sei, mas toda vez que escuto o hino me dá vontade de chorar, fico arrepiado, dá um nó na garganta, e assim vai. Bom tópico para se discutir num analista, que tal?  Claro que estou brincando. Não tem para o hino francês “La Marseillaise”, o britânico “God Save the Queen” e sei lá mais o que, pois o nosso já foi eleito o mais lindo do mundo.
 
Num dos meus momentos de prosa com minha amiga Vivi Brock, que vive em Londres, comentei sobre o que sempre sinto quando ouço o “Ouviram do Ipriranga.....”, e ela me disse uma coisa certíssima: " Dani, nos podemos ter o passaporte europeu que for, estar radicados aqui há milhões de anos, mas não tem jeito, darling; nossas raízes estão no Brasil!" Agora vocês sabem que brasileiro tem uma mania de valorizar  tudo que vem de fora do país, mania de idolatrar gringo, algo que não existe em outros lugares do mundo. Acho que já esta na hora do povo brasileiro se respeitar mais e ter orgulho de ser o que somos.
 
 
 
Toda vez que deparo com algum gringo, principalmente americano ou francês, com seus complexos de superioridade exacerbados, e que querem rebaixar o Brasil por todos os problemas já sabidos, eu já mando logo uma: vocês sabiam que o Brasil é a 9° economia mundial? Pois é, meus queridos, nós tambem fazemos parte de uma mola propulsora do mercado finaceiro internacional.
 
 Mas voltando ao futebol, está na cara que entendo necas-de-pitibiriba sobre o desporto , mas certas coisas são elementares, meu caro Eugênio: apesar da seleçao brasileira ter melhorado, do Ronaldo ter tido vontade de fazer gol ( só lembrando: querer não é poder!!!!), ainda falta, e muito, para o nossso Brasil mostrar seu potencial e  pentacampeonato. Os jornais de toda Europa têm ridicularizado bastante o nosso Brasil. Temos que reverter esse quadro crítico. Dando mais uma opinão ( sou mesmo metido, né mesmo?) enquanto nosso time não cair em si, que futebol é um jogo de equipe, eles continuarão jogando dessa forma medíocre. 
 
Para finalizar: um time abarrotado de estrelas, como o nosso, também dificulta tudo, com cada um deles querendo marcar gols sozinho, não acham?
 
Sei de uma coisa: não preciso ir ao cardiologista; não tenho problemas cardíacos, pois ontem, a cada erro de defesa do Dida, meu pobre coração faltava sair pela boca, mas se manteve forte. Mas Dida, o que foi aquilo, rapaz? Mas sendo justo, temos que dizer que ele é o nosso protetor.
 
A cada lance do guapo Kaká, as belas de plantao suspiravam. E, Kaká (cá pra nós),  além de belo é muito talentoso. E quem eu tenho gostado ver atuando nesse campeonato.

Ainda no primeiro tempo, quando o Brasil ainda não tinha feito nenhum gol, fiz uma promessa: ia comprar a tal camiseta de 70 euros caso a gente ganhasse. Como promessa tem que ser comprida, hoje foi a primeira coisa que fiz - e tudo isso em nome do meu Brasil.
 
 

 

Crédito:Daniel Reynolds

Autor:Daniel Reynolds

Fonte:Universo da Mulher