Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2017

Japão

Depois de onze horas de vôo, desembarquei em Nagoya, meio tonto e com a sensação de ter perdido um dia da minha curta vida. E porque? Bem, isso foi fruto do famoso jetlag (sensação de desorientação do tempo) devido ao fuso-horário de mais sete horas entre a Alemanha (onde resido) e a Terra do sol nascente.
 
Deixe-me explicar a razão de voltar ao Japão: acompanhar o Dirk - meu parceiro de anos e anos- à uma viagem de negócios com o pessoal da ATPCO. Para quem não sabem quem eles são, aqui vai uma breve explanação: a ATPCO é uma firma americana responsável pela distribuição das tarifas aéreas para os sistemas de reservas, como Amadeus, e agências de viagens do mundo todo.
 
 
 
 
Mas voltando ao aeroporto, deparei com uma fila quilométrica no setor de imigração. Quem me conhece, sabe: sou impaciente. Achei que ia ficar ali um tempão até passar pelo oficial de imigração, mas que nada, foi tudo vapt-vupt. Em menos de 20 minutos meu passaporte ganhava mais um carimbo. Aliás, no Japão não se ganha um carimbo de entrada, mas o negócio lá é tão chique, que o policial Poe seus dados no computador e um selo é impresso e colado no passaporte. Mas o que poderíamos esperar do todo-poderoso Japão???
 
O destino final dessa aventura não era Nagoya, mas Kyoto - antiga capital do império, que segundo os próprios japoneses, é a cidade mais tradicional do arquipélago nipônico. Eu sou suspeito de falar sobre cidade, já estive neste paraíso duas vezes. Acho que Kyoto ficou ainda mais conhecida ao redor do mundo por causa do tão-polêmico Protocolo de Kyoto. Dá pra acreditar que uma cidade com um pouco mais de um 1mi. de habitantes possa ter mais de 1.600 templos? Pois é, isso traduz muito bem a fé dos japoneses.
 
Cheguei a Kyoto a bordo do magnífico trem-bala, que fez o percurso de 150 km de Nagoya até lá em 35 minutos. Isso mesmo: 150 km em 35 minutos de viagem! Não é bárbaro? O país pode ser explorado por este meio de transporte fantástico e eficaz. Ah, sem contar que os japoneses conseguem ser mais pontuais que os próprios britânicos. Uma prova da pontualidade deles foi marcada com uma tragédia. Não sei se vocês ainda se lembram de um acidente de trem, que descarrilou em Tokyo, ano passado, só porque o maquinista se atrasou, e para recuperar o tempo, excedeu a velocidade, o que resultou em muitas vítimas.
 
 
Através desse acidente já dá para perceber como as pessoas vivem por lá. A sociedade está organizada da seguinte forma: as pessoas têm que cumprir enumeras regras e quase sempre há uma pressão  social em vários aspectos.
 
Precisão quase de robôs, donos de uma disciplina invejável, é assim que eu percebi os nipônicos. Tirei tal conclusão nessa minha segunda viagem ao país. E impressionante ver como tudo funciona com tanta perfeição e organização.
 
Nota-se que além de ser muito populoso em relação ao seu tamanho, ainda mais que grande parte do território é bem montanhoso, o Japão é um dos países com o maior número de pessoas idosas do mundo. Olha, são muitas mesmo!!!!
 
Uma das primeiras coisas que logo tomei providência em saber foi como agir em caso de terremoto, já que lá, os abalos sísmicos são uma constante. Só que hoje em dia, graças à avançada tecnologia nipônica, a maioria das edificações dispõe de recursos contra tremores, o que resulta em não danificação do prédio e tal.

 
Acredito que a longevidade por lá é fruto da qualidade de vida que levam e também, é claro, pela alimentação super sadia.
 
Falando em comida japonesa, muita gente já deve achar que estou falando de sushi, sashimi - peixe cru no geral. Calma, calma, pois se tem uma coisa que japonês entende, isso é justamente boa mesa. 
Há uma variedade maravilhosa para quem não é fã de frutos do mar:
 
* Yaktori - tipo de churrasquinho à moda deles. É de se comer rezando de tão bom! Em Tokyo há vários restaurantes especializados em Yaktori, especialmente no frenético bairro de Shunjuko.
*Shabushabu -espécie de fondue japa. O garçom traz uma mini caçarola com água quente - tipo um rechaud - onde você mesmo prepara o alimento - carnes, champignons, vegetais, tofu, etc são cozidos na tal água. Isso tudo servido com um molho de amendoim ou soja.
*Teriyaki - pode ser de frango, carne ou peixe -feito numa chapa bem quente e servido com um molho de mesmo nome, meio adocicado e caramelizado. Também é tudo de bom!
* Sopa Udon - essas sopas são uma maravilha: levam uma espécie de noodle (macarrão oriental) servido numa tigela enorme com carnes, vegetais e afinas. Agora se você já leu "Na sala com Danuza" e por isso ficou craque em etiqueta, não fique chocado(a) com o barulho dos orientais tomando sopa. Acho que uma sopa dessa, e ainda mais comendo de rashi, não tem como não fazer mais ruído do que cuica de escola de samba.
Mas concordo com a sabia Danuza, que ninguém deve, em hipótese alguma, palitar os dentes.
Hábito muito normal por lá.
Os palitos são uma gracinha, mas como já disse antes: No way!
 
Cordeais....até demais!!!!
 
Os japoneses são cheios de cerimônia, ou seja: sempre que encontram alguém, é um tal de se abaixa daqui, se abaixa de lá.
 
Uma loucura!
 
Caso você tiver problema de coluna, pense mil vezes antes de por os pés por lá. Tudo funciona em torno de uma hierarquia danada. Os mais velhos, ao contrário de em muitos países, são os que têm mais valor dentro da sociedade. Quem der uma chegadinha lá a negócios, e quiser render uns bons louros, preste bem atenção:
 - E importantérrimo que você dance de acordo com a música - o que quero dizer? Se alguma pessoa te oferecer algo, não recuse, pois na Ásia, e principalmente no Japão, não se diz "Não" de forma direta.
- Sempre receba qualquer coisa que lhe fora dado pegando o objeto com as duas mãos, abaixando um pouco a cabeça e agradecendo pelo menos duas vezes...Depois me conte se sua business trip foi  proveitosa.
 
 
Fashion
 
No Japão, de forma geral, temos a impressão que fomos transportados para um grande desfile de modas. Até parece que as pessoas são modelos de Yves Saint Laurent, Gucci ou Prada.
Bem, biotipo para isso é o que não os falta.
 
Mas você quer saber o motivo deles investirem pesado em grifes poderosas?
* a) através da moda - maneira de vestir - eles conseguem ser um pouco mais de individualidade – saem dos padrões convencionais de mesmices impostos pela severa sociedade. Eles não seguem modas ou tendências; tentam se vestir como dá na telha;
*b) eles não adquirem imóveis, o que é caríssimo por lá; vivem na maior parte dos casos com a família ou em moradias minúsculas para baratear os custos, daí sobra dinheiro para gastar em vestuário....Last and not least: como em qualquer lugar, roupa e sinônimo de status. No caso deles, as grandes marcas européias.
 
* Já que estou falando em moda, algo que você não pode esquecer quando for ao Japão: estar com suas meias em dia - nada de meia furada ou até mesmo chulé, pois você vai passar grande parte do tempo tirando e pondo os sapatos onde quer que vá. Não dá pra dar um furo desse, né não?
 
Vale a pena comprar kimonos. Minha mãe deve adorar os que trouxe para ela. Alias, mamãe é muito chique, daqui um tempo vai entrar pro Guiness na categoria de colecionadora de artigos do mundo todo.
 
 
Poder vertical
Um hotel que começa no 24° andar? A maioria dos hotéis mais modernos em Tokyo sao assim.
Tive o prazer de ficar hospedado no nababesco Royal Park Shidome em Ginza.
Foi um momento único fazer o check-in ali, com aquela vista fenomenal para a baía de Tokyo..Imagine quando a noite cai, tomar uns drinks no bar?
 
É claro que as cidades no Japão crescem verticalmente devido a falta de espaço. Muita coisa por lá foi aterra, tem o dedo do homen. Faltam áreas verdes, o que neste aspecto faz com que tudo isso seja aguniante:
 
 
 
Eletrônicos
Muita gente acha que eletrônicos no Japão são uma bagatela.
Quem dera!!!
Os preços não são nada convidativos se comparados com os do mercado europeu, por exemplo.
Sem contar que a voltagem 110w é outra coisa a ser observada.  Mas se você acabou de ganhar na Sena, vá até Akihabara - meca dos eletrônicos em Tokyo- e delire com um montão de novidades made in Japan.

Informações gerais
Brasileiros precisam de visto para visitar o Japão. Para mais informações, consultem o consulado mais próximo de sua cidade ou a embaixada em Brasília - www.br.emb-japan.go.jp
 
 
Como chegar:
Do Brasil há vôos para o Japão com escala nos States ou na Europa.
Muita gente prefere fazer conexão na Europa, pois não há problemas de visto.
Brasileiros não precisam de vistos para a Europa.
A distância - seja pela a América ou pela Europa, e praticamente a mesma.
 
 
Agradecimentos:
Ao Royal Park Shidome Tower Hotel de Tokyo ( tel: 81-3-6253-1177) e ao Westin de Kyoto.
A ATPCO pelo convite e pelos litros e litros de champagne vintage que bebi. (risos)
Ao Dirk pelo convite e generoso bilhete de First Class até o Japao. Ele me acostuma mal...(hehehe) Foram inesquecíveis os dias que passei em sua companhia.
 
 
 
Próxima coluna: Alemanha!
 
 
Por Daniel Reynolds, Frankfurt, Alemanha.
Contactos:
danieljreynolds@hotmail.com
 
 

Crédito:Daniel Reynolds

Autor:Daniel Reynolds

Fonte:Universo da Mulher