Rio de Janeiro, 18 de Novembro de 2017

O Egito de A a Z!

Assuã
Ponto final da minha viagem de cruzeiro pelo Nilo.
 
A cidade não é nenhuma Brastemp.
 
 
As únicas atrações são os vários bazares, onde há artesanatos locais bem simpáticos. Como o lugar é bastante turístico, os preços não são nada convidativos. Estando lá, não deixe de visitar o moderno museu do povo Núbio, que fica quase em frente ao hotel Basma.
Assuã também serve como ponto de partida para várias excursões: entre elas, o passeio até o templo de Abu Simbel - quase na fronteira do Egito com o Sudão-, lago Nasser, que vem a ser o segundo maior lago artificial do mundo, e last but not least, o belíssimo e romântico templo de Philae, que para chegar é preciso ir de feluca, numa viagem espetacular.
 
Bakish
Bakish em árabe, mas gorjeta em bom português.
 
Não importa o idioma, mas os egípcios estarão sempre esperando que você os gratifique por qualquer coisa. Claro que gratificação é algo que fazemos por qualquer serviço prestado.
 
Isso é praticado no mundo inteiro, mas na terra de Cleópatra isso chega a ser irritante; eles fazem questão de pedir bakish o tempo to-dooooo.
 
Uma das experiências mais desagradáveis que tive durante minha estada, entre outras, foi na visita a um templo, quando fui comprar água numa barraca.
 
Como não tinha água ali, o dono da tal barraca pediu ao empregado dele que fosse buscar duas garrafas d'água num outro lugar.
Além de o comerciante cobrar dez vezes mais pela bebida, ainda queria que eu desse uma gorjeta para o empregado dele.
 
Pode?
Caso seu próximo destino seja o Egito, vá munido de bastante dinheiro trocado, já que lá não há moedas. Aliás, têm, mas não são usadas.
A moeda local, a Libra Egípcia, não é tão valorizada.
 
Um trocadinho é mão na roda na hora do famoso bakish.
 
Cairo
Maior capital do continente africano.
Mais de vinte milhões de pessoas vivem nessa cidade que desperta sentimentos de amor ou ódio na maioria dos seus visitantes.
No meu caso, achei fascinante o caos dessa metrópole. Agora se prepare para o barulho infernal do trânsito.
 
 
Não há quase semáforos, o que resulta em carros buzinando sem parar, no meio de um tráfego loooouco.
Por isso não é aconselhável que estrangeiros dirijam por lá. O que mais me surpreendeu foi não ter visto um só acidente durante meu sejour no Cairo.
 
A melhor maneira que encontrei para explorar a cidade: ter um chauffeur. Tal serviço é fácil de ser arranjado na maioria dos hotéis, e o melhor - por uma bagatela! Não é luxúria, mas algo extremamente necessário!
Uma das primeiras coisas que fiz assim que pus os pés no Cairo: fui ao Khan el Khalili - um dos bazares mais antigos e mais completos no mundo árabe. Se perder nas suas ruelas é algo fantástico. Muito bom para comprar tudo o que você possa imaginar. Não podemos esquecer que os árabes têm no sangue o tino para negócios.
 
 
Cemitério
Não é apenas residência dos mortos; muita gente transformou os túmulos em casa num dos cemitérios do Cairo.
 
E por quê?
 
Como o país é muito pobre, muitas pessoas sem lugar para ir, acabaram fazendo obras e vivem ali mesmo como se fosse um lugar qualquer.
 
Cruzeiro no rio Nilo
Sem dúvida a melhor maneira de se conhecer o Egito.
Escolhi o MS Crown Jubilee - cruzeiro 5 estrelas com um serviço bom e staff atencioso.
 
Todos os cruzeiros são full-board, ou seja - pensão completa.
Quando se compra o pacote, muitos dos passeios aos templos já estão incluídos.
 
O meu cruzeiro de apenas quatro noites começou em Luxor e foi até Assuã.
 
 
 
A paisagem ao longo do Nilo e mágica - deserto e pouca vegetação verde nas margens.
Um contraste único.
Quatro noites de cruzeiro foram mais do que necessárias. O percurso é curto: apenas trezentos quilômetros de Luxor até Assuã. Gasta-se muito tempo nas excursões pelo caminho.
Para quem quer relaxar, não poderia haver algo ideal!
 
 
Comboio
Como é sabido, depois do 11 de Setembro o mundo mudou.
Ficamos todos mais alertas e tentamos combater o fantasma do terrorismo.
 
E no caso do Egito, cujo 48% de sua renda nacional provém da indústria turística, todo cuidado é pouco para não espantar, ainda mais, os turistas, que vêm desaparecendo nos últimos anos.
 
Mesmo assim, o país investe em um esquema de segurança pesado. Há fortes esquemas de seguranças e check-points a cada esquina praticamente. Uma loucura! Minha ida até Abu Simbel foi bem nesse esquema.
 
Me senti numa cena de Syriana - filme em que o George Clooney atua -, pois na película há uma parte onde um rei dos Emirados Árabes está num deserto e de repente acontece uma explosao num dos carros do comboio.
 
Confesso que tive medo! Ainda mais porque dias antes havia acontecido uma atentado terrorista no balneário de Sham el Sheik, na península do Sinai, Egito.

Camelo
Uma pena não ter tido coragem de andar no animal. E esta foi a segunda vez.
Uma vez, anos atrás, também não consegui montar no bicho durante férias no Marrocos...Uma pena!!!
 
Deserto
Acho que as únicas palavras para descrevê-lo são:fascinante e mágico.
 
Esfinge
Uma decepção para mim, com certeza!!!
 
Só na TV que ela é imponente, mas ao vivo, não passa de um monumento sem a mínima expressão - além de ser pequeno, ou não tão grande quanto eu imaginava.
 
 
 
Mas claro que devo dar um desconto, devido aos anos e anos de história por tras disso aí.
 
 
Evitar!
Comer alimentos crus - saladas, frutas sem casca e beber drinks que levem gelo. 
 
Para os brasileiros, que estão acostumados a beber tudo gelado, vão sentir falta de gelo; a maioria das bebidas é servida na temperatura ambiente.
 
Na volta dos passeios, no cruzeiro, sempre éramos saudados com muito chá local ou suco de uva.
Agora beber chá num calor desses?  (risos)
 
Feluca
Vale, e muito a pena pegar o barquinho e dar um passeio pelo Nilo para observar o pôr do sol. Uma das maiores experiências que tive nesta vida.
Até eu, que não sei nadar, encarei o pequeno barco numa boa.
 
Gastronomia
Infelizmente o Egito é um fracasso só em se tratando de gastronomia.
 
Claro que há bons pratos e tal, mas mesmo assim eles pecam em muitos aspectos básicos de boa comida. Come-se muita carne - as famosas kaftas ( espécie de kibe ), muito carneiro, pão feito num forno à lenha, que não tem gosto algum, mas que serve para ser degustado com os antipastos tipo húmus.
 
Muito do que se come lá é importado, já que o país é seco, mas mesmo assim os vegetais típicos são incríveis. E se não fosse, pela falta de know-how em como prepará-los os acepipes ficariam nota dez.
 
A única coisa boa é que emagreci durante a minha viagem.
 
Hotel
Pode soar como esnobismo, mas não é: quem estiver com as Hermès afiveladas para uma estada na terra dos faraós, reserve pelo menos um hotel cinco estrelas.
 
No Egito, um cinco estrelas ainda estará aquém dos hotéis de mesma classe na Ásia ou Europa. Os quesitos que acabam com a reputação deles:  a falta de higiene e o quarto, mesmo no Marriot do Cairo, onde fiquei; as instalações dos quartos não fazem jus ao preço.
 
Agora imagina ficar numa pensão?
Até para escovar os dentes, água mineral - e que ela esteja muito bem lacrada!
 
Higiene
Meio complicado esta questao por la.
Até mesmo nos lugares considerados finos.
Afe!
Eu me perguntava: como e que alguém pode viver assim?
 
Idioma
Os egípcios são feras e muito talentosos para aprender idiomas. Nas áreas mais turísticas não há problema de comunicação.
 
Idiota
Sei que a palavra soa tanto forte, mas juro que na maioria das vezes eu me senti assim durante viagem.
 
Imagine só a cena: você quer ir à algum lugar e o motorista de táxi fica rodopiando a cidade inteira, quando na verdade o lugar onde você tem que ir está a metros dali.
 
Não é de matar?
 
Jóias
Para quem gosta de gemas fantásticas e com um preço bem em conta, o Egito é o lugar para comprar tudo isso.
 
O ouro está em toda parte, dando muita vida, brilho e luz a todos os lugares. Umas das peças mais compradas pelas turistas são os cartuchos de ouro, com letras em hieróglifos. Caso queira ter o seu nome gravado, o serviço é feito numa rapidez e também pode ser entregue nos hotéis.
 
 
Kofta & Kebab
Os bolinhos de carne de lá.
Muito saborosos, porém um tanto seco.
Eles usam muito cuminho para temperar as carnes, o que faz com que o gosto seja divino.
 
King´s Valley ( Vale dos Reis )
Para ir ate lá é preciso estar em Luxor, uma das maiores cidades do Egito.
 
 
 
O Vale dos Reis, onde grandes monarcas - das XVIII, XIX e XX dinastias -  escavaram nas paredes rochosas desse vale tebano, o local do seu eterno descanso.
A energia do lugar é impar.
Fiquei o tempo todo imaginando os fatos históricos.
 
Se hoje em dia tudo é uma belezura; imagina há 3.500 anos atrás?
 
Luxor
Cheguei até lá de trem, vindo do Cairo.
 
Ao desembarcar na estação, parecia que tinha viajado contra o tempo, já que o lugar, as pessoas e tudo ao meu redor era muito velho e destruído. Logo veio um carregador de malas, que se encarregou de levá-la até o táxi. Mas para um dos meus acompanhantes nesta aventura, a Margarida, já foi diferente - ninguém fez questão de vir ajudá-la. No mundo islâmico o homem tem certas regalias.
Luxor serve mesmo como base para a maioria dos cruzeiros que partem rumo ao sul do Egito, ou o Alto Nilo.
 
Há muitas atracoes por la, como os imponentes templos de Luxor e Karnak, vários museus na cidade ou em suas cercanias. Ah, nao saia de lá sem dar um passeio de charrete no final da tarde. É tudo e mais um pouco!
 
Museu do Cairo
Aquilo ali está mais cheio que Disneyworld em férias de julho..Um horror!
 
Mas claro que não podia deixar o Cairo sem dar uma zapeada por lá.
 
Além do visitante pagar o equivalente à 6 euros da entrada, quem quiser ver as múmias reais, ainda terá que desembolsar mais 10 euros.
Pode?
O museu retrata bem a história do lugar - tanta poeira!!!
 
Aconselho  aqueles que sofrem de alergia como eu, que facam uma linha Michael Jackson e levem uma máscara básica, que tal?...
 
Como se não bastasse, não há quase legendas explicando as peças em todas as alas do museu - e pior: quase nada em inglês.
As poucas que restam já estão gastas pelo tempo. Mas é claro que na sala de Tutancamon, onde está todo o seu tesouro é de arrepiar.
Tudo é um deslumbre: Vale a pena conferir as estátuas dos deuses, máscaras funerárias, papiros, jóias, etc.
 
Múmias
Esquecendo os 10 euros para entrar na sala das múmias reais no Museu do Cairo, vale ser dito que é mais do que impressionante estar de "cara" com os faraós. Milhares de anos e tudo intacto.
 
 
 
Nilo
Segundo Herotodo o Egito é um presente do Nilo.
 
A vida no país se concentra em suas populosas margens. O verde  contrasta com o seco do deserto num binômio de cores espetacular.
 
Não esqueça:
- Repelente contra os mosquitos que com certeza acham que você é ceia de Natal;
- Protetor solar de filtro elevado a enésima; senão vai virar torresmo;
- Chapéu ou boné com abas largas.O meu Gucci não foi suficiente e passava o calor. Quase fritei meus miolos...Será que não??? (risos)
- Sapatos confortáveis são um must. Não dá pra bancar o/a fino (a) com sapatos muito delicados por lá, já que há pedras!
-Roupas com tecidos leves e claros. E para as "cachorras" nada de querer mostrar o corpo. No mundo islâmico as mulheres têm que estar o mais vestidas - e detalhe: decentemente- possivel. Tinha uma brasileira fazendo a linha "eu-sou-gostosa" num jeans tao apertado que dava pra ver as celulites dela, usando um top durante a visita ao templo de Abu Simbel...Corajosa a moca! Nao teve medo de levar pedrada! ( risos!!!)
 
Okay
Tudo que você pede aos egípcios, eles dizem okay, mas acabam fazendo bem à moda deles.
 
Hilário, né mesmo?
O lance é relaxar!
 
 
 
Papiro
Caso tencione comprá-lo, fique bem atento para não comprar gato por lebre, já que na maioria das lojas os vendedores te oferecem papiro, que na verdade não é o original, mas o feito da folha da bananeira.
Os papiros -  legítimos - não são baratos, mas sao belíssimos.
 
O melhor é comprar em lojas oficiais que te dao um certificado. Lembre-se que muita coisa boa custa caro,  não é mesmo?
 
Pirâmides
Minha ida as pirâmides já começou mal: peguei o táxi do hotel e o motorista me levou até um senhor, dono de camelos para que eu fosse ate lá montando no animal.
 
Mas como já disse antes, amarelei!!!
A única solução: ir de charrete.
 
O que na verdade nem era preciso, dava pra ter feito tudo de táxi mesmo. O meu motorista poderia ter entrado de táxi no parque das pirâmides, mas a máfia local para enganar turista é forte e acabei sambando em 25 euros...
Vamos as pirâmides: mais imponentes na TV, mas sem dúvidas muito bonitas...É de arrepiar!!! Mesmo assim ainda prefiro o Cristo Redentor!
 
Queen´s Valley
Ali encontra-se os túmulos de várias esposas reais, de príncipes e de princesas do Novo Império. O vale está bem perto do King´s Valley. Os túmulos da época ramessidia (XIX e XX dinastias) possuem estruturas complexas e são de fato cópias dos hipogeus do King´s valley.
 
Quando ir:
Melhores épocas: entre Janeiro e final de Abril quando as temperaturas ainda estão amenas. Fora disso o calor é de rachar.

Religião
Já de madrugada é possível escutar os alto-falantes dos minaretes ecoarem as orações dos imas por todo lado. Os mulçumanos oram 5 vezes ao dia e detalhe: sempre em direção a Meca, na Arábia Saudita.
Algo interessante e que até mesmo nos quartos hotéis, há uma placa-orientação indicando isso.
 
Nas ruas de todo o país é comum ver os mais religiosos estendendo os seus tapetes e orarem ali mesmo.
 
Por falta de espaço nas mesquitas menores, os mulçumanos oram do lado de fora mesmo.
 
Uma das cenas que mais me chamou a atenção: foi na estação de trem do Cairo, antes de embarcar rumo a Luxor, um fiel estava no meio da plataforma recitando o Corão... Um dos meus motoristas no Cairo, o Ali, tinha uma cicatriz na testa por passar grande parte do tempo com a cabeça encostada num tapete devido às orações diárias.

Segurança
Imagina só quanto $$$$$ o estado não gasta em segurança pública? Uma loucura!!!
 
A cada ponto há um batalhão de soldados tentando proteger tudo e todos.
Se eu fosse ao Egito hoje o que eu não faria:
Ir aos passeios com excursão. A melhor maneira é pegar um motorista para o dia todo. São sempre simpáticos, confiáveis, e te mostram tudo pela perspectiva de um local...
 
Trem
Muitos turistas utilizam a linha férrea dentro do Egito.
 
Os trens noturnos dispõem de cabines-dormitórios, que são decentemente confortáveis. Os trens partem numa pontualidade britânica, são limpos e o jantar já está incluído no preço da tarifa, que para o estrangeiro não é nada barata.
 
Eu, antes de ver o trem, já pensei que fosse ser um chique só, com um vagão-restaurante para um jantar e tal. Ledo engano. A única coisa que há para a diversão dos passageiros: um vagão bar, e as opções de drinks são mais do que limitadas...
 
Mas é claro que valeu o espírito de aventura.
 
O jantar é servido na cabine mesmo e assim que você quiser vem o seu comissário e faz a sua cama. A viagem do Cairo até o Luxor dura cerca de 7 horas. E de Assuã para o Cairo, meu roteiro de volta, durou 12 horas.
Pode parecer muito tempo, mas o tempo voou!.
 
É preciso comprar os bilhetes com antecedência. Melhor maneira é por uma agência de turismo, já que se você tenta fazer a reserva online, corre o risco de não ter a confirmação do bilhete, etc.

Tenha sempre:
 - água mineral  e um leque para espantar o calor!!!
 
Visto
Brasileiros precisam de visto para a República Árabe do Egito.  Para obtenção há duas formas: em algum consulado ou embaixada do Egito no Brasil ou durante a chegada em algum aeroporto de lá.
 
Paga-se apenas 15 dólares no Cairo para uma única entrada.
 
O visto, que são dois selos pequenos, eu tive que colar com saliva no meu passaporte, já que nem uma almofada com água para molhar os dedos há por lá. (risos)
 
Viajar
 E muito bom, mas para mim e ainda melhor o momento em que volto para casa - meu porto seguro.
 
Amo o meu cotidiano e minha vidinha pacata em Frankfurt.
 
Fiquei feliz em regressar.
Ainda mais porque esta viagem ao Egito foi bem em clima de exército. Tinha hora para tudo.
 
Nao funciono bem sendo escravo do tempo. O meu tempo sou em quem faço. Sempre fui assim e espero que a vida continue me abencoando com um dos maiores luxos que podemos ter hoje em dia: o tempo.
 
 
Próxima coluna: Kyoto!
Por Daniel Reynolds, Frankfurt; Alemanha. 
Contatos:
danieljreynolds@hotmail.com
 
 
 
 
 

Crédito:Daniel Reynolds

Autor:Daniel Reynolds

Fonte:Universo da Mulher