Rio de Janeiro, 26 de Abril de 2017

Estilo Próprio - Por Jamill Barbosa Ferreira

Estilo Próprio - Por Jamill Barbosa Ferreira
Cada pessoa tem de ter o seu próprio estilo, saber e entender o que combina com o corpo, com o temperamento; é para isso que a moda serve: apresentar opções, nunca impor regras. Crie seu estilo próprio baseando-se em tudo o que você mais gosta, tudo o que lhe cai bem, que é confortável. Muito se fala que a elegância está na simplicidade, mas elegância tem mais à ver com naturalidade que com simplicidade, porque ser elegante começa a partir da própria pessoa, do temperamento, da personalidade (e isso tudo tem muito à ver com comportamento), a partir de tudo isso vem o estilo de vestir.

Certa vez ouvi história sobre um mendigo que estava numa esquina bebendo aguardente num copo de vidro de extrato de tomates, e ele pegava o copo com uma elegância fora de série. Essa mesma história falava de um casal num bom restaurante comendo e falando de boca cheia, sujando as roupas, sem nenhuma elegância. Não sei se essa história é real ou não, mas é absolutamente possível, porque a elegância vem de você e não tem nada a ver com classe social, com poder econômico, com nada, porque só você pode decidir ser ou não elegante. A elegância é uma virtude intransferível: não pode ser tirada de você.

Outro ponto importante que precisa ser comentado é que eu acho um absurdo a idéia de que as pessoas discriminam uma mulher porque está gorda ou magra, qual o problema nisso? Se ninguém vai te carregar nos braços, porque se preocupar com seu peso? Também não há problema nenhum em envelhecer, em mudar, porque você vai continuar sendo a mesma pessoa: mesmo nome, data de nascimento, tudo. Há algo em você que deve permanecer diante das mudanças da vida que é o seu estilo próprio. Uma mulher pode ser magra ou gorda e ser extremamente elegante e bem vestida. De que adianta seguir à risca revistas de moda? Emagrecer só para usar uma calça? Isso é um tipo de escravidão e não tem nada a ver com auto-estima. A pessoa que vive se escravizando para seguir tendências acaba vivendo mais para os outros que para si própria. Onde isso vai levar? O importante não é o que as pessoas pensam de nós, mas o que nós pensamos de nós mesmos. Não adianta ficar feliz com um elogio ou triste com uma crítica. Pior ainda ficar se martirizando para seguir cada detalhe que é mostrado nas revistas, como um "referencial de perfeição", como se isso impedisse que as pessoas argumentassem sobre suas roupas, criticassem você. Porque as pessoas precisam seguirem tendências? Sofrerem num regime para emagrecerem na intenção de serem aceitas? Porque submeter-se a cirurgias plásticas quando na verdade nem precisa de nada? Isso seria ilusão, deslumbramento? Pode ser tudo, inclusive insegurança. Só é insegura a pessoa que não se conhece de verdade, não sabe que, por exemplo, as maiores lições da vida são as experiências vividas e não as experiências aprendidas e/ou ensinadas. Isso vale para moda, para relacionamento, para tudo. Às vezes você conhece alguém e não sabe explicar porque essa pessoa tem olhos tão bonitos, porque são castanhos, porque têm tudo para serem olhos aparentemente comuns. Mas são olhos lindos! A resposta está na própria pessoa, que não se preocupa com a cor dos olhos, apenas sabe o que fazer com os olhos que tem. Atitude é a palavra-chave. Não importa se a mulher é magra, gorda, se tem alguma deficiência física, não importa nada porque ela tem uma beleza própria e tem todo o direito de expor, de ser admirada e reconhecida.

As revistas de moda são muito importantes para mostrarem novidades, a arte da moda. Mas não quer dizer que a leitora tem de seguir exatamente cada figurino apresentado em cada página de uma revista. Jamais deposite numa outra pessoa ou em regras de moda a responsabilidade de seu próprio bem-estar. Seja você mesma, com muito, muito charme e muita atitude. Porque autenticidade é uma grande virtude.
 
 
 

Contato com Jamill, incluindo para perguntas:
jamillbarbosaferreira@yahoo.com.br
Ilustração: "Estrutura da Vaidade", acrílica em tela de Jamill Barbosa Ferreira

 

 


Crédito:Jamill Barbosa Ferreira

Autor:Jamill Barbosa Ferreira

Fonte:Universo da Mulher