Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2017

O ator de um papel só

É o ator que se especializa no papel que o tornou famoso, por acreditar que o público se identificou tanto que não deseja vê-lo em outro personagem. Escravizando o ator ao limitar sua carreira.
 
        Anthony Perkins passou a vida reproduzindo o assassino do facão de “Psicose”. Quem não ficou com medo de aparecer um psicopata e interromper para sempre o seu banho de chuveiro?
 
        Marilyn Monroe, associada a loura burra disposta a agarrar um milionário, acabou levando esse estigma para a vida real e se suicidando.
 
        Sean Connery foi o único 007 que conseguiu provar que estava além da canastrice do papel. 
        Christopher Reeve morreu como super-homem.
        Charles Bronson virou sinônimo de feio, mal-encarado e matador.
        Só se espera de Jim Carrey caretas, já que o público despreza seu talento em papéis dramáticos.
        Jerry Lewis sofreu do mesmo mal e hoje virou um sujeito mal-humorado.
        Vera Fischer teve que fazer das tripas coração para reverter o seu início de carreira na pior fase do cinema brasileiro.
        Harrison Ford, já na terceira idade, não consegue sair da pele de Indiana Jones.
        O ator que, por assumir sua homossexualidade, só é chamado para fazer papel de gay.
        Woody Allen faz questão de levar sua persona hipocondríaca e neurótica para as telas, afrontando seus desafetos, que o acusam de fazer filmes parecidos.
 
 
       De tão marcantes, as personalidades de Jack Nicholson e Humphrey Bogart ofuscaram todos os papéis que interpretaram, mesclando personagem e ator e criando o mito. A viver um só papel, o da estrela.
 
 
 
 

Crédito:Antonio Carlos Gaio

Autor:Antonio Carlos Gaio

Fonte:Universo da Mulher